Em 1988, a partir de uma vitrine para uma loja de Jeans em São Paulo, Marcelo teve contato com um material muito bacana, o feltro e iniciou, sem maiores pretensões,  interessante trabalho com esse material em diversas peças para revistas e programas de Tv. Num determinado dia, precisamente em 22 de maio de 1989, o jovem artista e a Santa Fé Feltros, tiveram a brilhante idéia de realizar um curso de enfeites de Natal no Sesc Pompéia ( São Paulo ) , dirigido ao público da terceira idade. Era só um curso, coisa rápida, num pacato fim de semana, para não mais que 40 participantes...

O curso foi sucesso absoluto e levou muito mais do que as 40 pessoas imaginadas. Marcelo, surpreso com o tamanho de inscritos no curso, repensou os conceitos sobre o público de artesanato; mudou a abordagem e o resultado não poderia ter sido melhor: foram 4 finais de semana, com uma média de 250 participantes por dia. Uma loucura!  Em 1990, a parceria Marcelo Darghan/Feltros Santa Fé foi responsável por esse mesmo trabalho, na Choperia do Sesc Pompéia. Esperava-se que a quantidade de participantes chegasse perto do número alcançado no ano anterior. Nova surpresa. Mais 4 finais de semana, sendo que a média dobrara, agora para 500 inscritos por dia. Um sucesso sequer sonhado.

A partir de então, Marcelo teve de pensar numa maneira de lidar com um público tão grande e jamais imaginado para um curso de artesanato. Um novo conceito foi desenvolvido. O artista imaginou que, se fizesse um tipo de ginástica para as mãos, as pessoas teriam mais facilidade para trabalhar.  As idéias não paravam de surgir e Marcelo juntou a ginástica com a música; depois misturou a música com a dança, formou um coral, e as pessoas se emocionaram e criaram com maior facilidade.

Em 1991, na mesma Choperia do Sesc, quase 1000 pessoas apareceram por dia. Foi nesse evento que o patrocinador, diante de um evento de tão grande porte, permitiu que Marcelo chamasse outras empresas para participar dos eventos.

No ano seguinte, 1992, Marcelo criou um curso de gnomos. Sim, gnomos! Vale ressaltar que naquela época os gnomos estavam em alta. É só forçar um pouco a memória e lembrar-se que esses anões de idade indefinida e fisionomia esquisita figuravam em adesivos colados em vidros de carros, com a seguinte frase: Eu acredito em duendes.

Pois é, pelo menos 5.000 pessoas também acreditavam e foram à marquise do parque do Ibirapuera no meio de um mês de agosto frio e chuvoso, e, para piorar, sem cadeiras e mesas, na época a não era permitido que esse tipo de equipamento entrasse no parque. Os participantes não se incomodaram e sentaram no chão, com muito bom humor. E essa foi a primeira vez que, de fato, Marcelo Darghan teve de conduzir todo o curso pelo microfone. As pessoas, interessadas e animadas, entenderam o artista e realizaram o objetivo, uma de suas maiores emoções até hoje.

Depois disso Marcelo iniciou uma série de viagens por todo o País e em cidades fora do Brasil. Foi um período riquíssimo, marcado por muitas experiências e novidades. Incrível !

Entre uma viagem e outra, Marcelo desdobrou-se (afinal ele é geminiano), arrumou tempo e fez matérias para muitas revistas nacionais e estrangeiras. No Brasil escreveu para as revistas: Agulha de Ouro, Criativa, Faça Fácil, Manequim e Mãos de Ouro.  Na Argentina, suas matérias puderam ser lidas nas revistas Fiestas Infantiles e Utilissima, dentre outras.  

Os programas de Tv também tornaram-se seu ponto forte, onde ele pôde conhecer não apenas pessoas maravilhosas como as apresentadoras, mas também as equipes de produção, os câmeras e todos os envolvidos nos bastidores, responsáveis pelo funcionamento do programa.

Em 2006 resolveu homenagear o Artesão brasileiro, criou então o "Prêmio Artesão do Ano", que segue recebendo milhares de votos e premiando anualmente os artistas de maior destaque no mercado, além disso passou a colaborar na organização da Feira Mega Artesanal, maior feira da América Latina neste setor.

Nesses 20 anos, além de uma brilhante trajetória,  Marcelo teve o privilégio de conhecer e compartilhar do crescimento de muita gente, como algumas crianças que hoje estão casadas e com filhos; pessoas que não tinham visão de futuro e hoje, através do artesanato, vivem com dignidade e felicidade.

As idéias que ele plantou foram semeadas, repetidas e vendidas; essas mesmas idéias tornaram-se inspiração para que outros pudessem criar peças próprias; enfim, essas coisas não podem ser quantificadas, não têm preço. São jóias que Marcelo Darghan carrega sem peso e com muito carinho pela sua vida, além de lhe dar estímulo para fazer muito mais.

E esses próximos anos prometem muitas coisas bacanas.

Preparem-se e... Mãos à obra!

Marcelo Darghan, 46 anos, é artista plástico e faz cursos de artesanato desde 1989.